sábado, 6 de março de 2010

SERIA O IDEAL




Ir para a terra natal. Sentir o cheiro do mato depois da chuva. Dar um volta longe sem ver carros nem ouvir motores e buzinas, nem centenas de milhares de pessoas. Indo e vindo de e para todas as direções. Com seus rumos ou totalmente sem eles. Ir ouvindo as novas aquisições musicais enquanto observo a paisagem ir mudando. As fábricas e indústrias dando espaço para montanhas, animais e platações. Tudo mais verde. De céu mais azul. Tudo mais duro. Tudo mais pobre, mas não menos interessante.

Seria o ideal acordar com a voz estridente da Selma. A mesma voz aguda de 25 anos de íntimo convívio. Os passos arrastados do meu avó bem cedo, pela manhã. Até todos os barulhos matinais, em sincronia consumirem todo o ambiente da casa e a Lucélia entrar sem nater, abrir a janela e começar a arrumar o quanto comigo ainda dormindo, perto do horário do almoço quando supostamente eu já deveria estar à mesa.

Seria ideal a minha avó entrar no quarto para acelerar o meu processo de noite mal dormida. de adaptação de cama pós viagem de oito horas. Mesmo sentando à mesa com a sobremesa posta. Mesmo meu avô não gostando muito disso. Mesmo notando só depois de algum tempo meu irmão adolescente introspectivo de ressaca também cumprindo com suas obrigações familiares de presença no horário das refeições.

Mas acontece que estou muito cansada. Queria poder estar lá num piscar de olhos. Após estalar os dedos. Justamente o processo de ida (e depois vinda) é que me cansa e já me faz desanimar. E meus gatos? Seria prudente aceitar o convite dela para cuidar deles? Não quero. Quero ficar sozinha. Na minha casa. Sem compromisso com nada nem ninguém. I am going completely offline this weekend.

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