terça-feira, 16 de dezembro de 2008

A.




Ele sempre caminha em passos lentos. Sua coluna é perfeitamente alinhada e seus braços nem tão fortes nem tão magros são comedidos, de movimentos leves e precisos. O mais intrigante na pessoa dele são seus olhos, mais precisamente seu olhar. Ele brilha e consegue ser discreto enquanto também é curioso. Sinto que através daqueles olhos nada passa despercebido. O silêncio da sua boca é quem diz isso. Enquanto todo mundo sente a necessidade de falar e falar e falar porque simplesmente não é capaz de administrar o silêncio, ele limita-se a observar a todos e as coisas ao redor. Sei que muitos à primeira vista tentem a dizer "nossa, que bobão". Mas a grande graça nisso tudo é isso. Bobão é quem pensa que ele é bobão. E eu simplesmente AMO pesssoas que surpreendem. Até porque, se ele tiver que abrir a boca, você vai se sentir o mais despresível dos seres humanos. Porque suas palavras são sábias e exageradamente polidas. Aí nota-se que, por detrás de todo aquele silêncio, reina muita sabedoria e humildade. Outro nível de ser humano. Avis rara.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

É tempo de tensão, consumo exacerbado e frustrações sentimentais. É tempo de pedintes e cestas natalinas. É tempo de repensar a vida e não chegar à conclusão nenhuma. É tempo de sentimentalismos baratos e manipulação da mídia. É tempo de cólera. E de calor intenso. É tempo de ruas lotadas e cheiro ruim no transporte público por causa do calor insuportável. É tempo de querer de volta o inverno e as mangas compridas que aquecem. É tempo de se questionar a vida. De procurar bandas e músicas novas, de buscar algo que comova. É tempo de pijama e TV. É tempo de jogar video-game na cama e fumar um baseado. É tempo de dormir até o meio dia e mandar todo mundo pra puta que pariu. É tempo de silencio e de necessária solidão.