domingo, 29 de março de 2009
DEPOIS DO SILÊNCIO
O que vem? O quem depois do silêncio? Mais silêncio. E raio de sol entrando pela fresta, rasgando o escuro do quarto. O que vem depois do silêncio? Talvez música e com certeza gatos. O que vem? Amor. Amor de mim para mim mesma. Amor só meu, inteiramente incondicional... Cara, como eu me amo!
segunda-feira, 16 de março de 2009
V.

Estou com saudades suas. Precisamos tomar café para falarmos de música e do quanto somos pequenos e insignificantes. Estou com saudade do seu mix coca-cola/marlboro/café/trip-hop. Sinto falta dos adjetivos que usa, da conotação intensa e sincera que você dá a cada um deles. Saudade das suas bagunças amorosas e suas eternas expectativas sentimentais. Saudade do silêncio íntimo que se instaura. Silêncio reflectivo. Sempre ao som de boa música. Saudade do jeito que mexe a cabeça - no ritmo - enquanto contempla a música que você escolheu para tocar. Saudade da áurea de tristeza que se estabelece naturalmente e que, por ser triste, está longe de ser feia ou amarga. Amargo mesmo só o gosto na boca quando o assunto é a verdade que nunca quer calar. Sobre nossa realidade idiota e medíocre que tentamos sabotar. Saudade da sua sensibilidade que te corrói a alma lentamente e aos poucos e sem que você saiba, faz de você mais interessante e melhor a cada dia. Saudade da profundidade escura e opaca a qual estamos condicionadas a viver enquanto caminharmos pelos destroços deste mundo feio e sem sentido. Saudade da indignação que você exala pelos poros. E da bolha de verdade que te protege. Vou te ligar essa semana...
domingo, 15 de março de 2009
O VELHO E O FEIO
Prefiro o desbotado, o velho e furado. Prefiro o cinza, o sem cor. Prefiro os pombos cheios de doenças e piolhos. Prefiro os que bebem pinga do que os que bebem wisky. Prefiro o couro trincado e opaco. Prefiro a solidão. Prefiro os que escondem no fundo de suas entranhas a imensa dor que é respirar. Prefiro os meus que os teus.
quinta-feira, 12 de março de 2009
TRADIÇÃO
Uma garota do barulho
Namorava um rapaz que era muito ineligente
Um rapaz muito diferente
Inteligente no jeito de pongar no bonde
E diferente pelo tipo
De camisa aberta e certa calça americana
Arranjada de contrabando
Sair do banco e desancando despontar do bonde
Sempre rindo e sempre cantando
Conheci uma garota que era do barbalho
Essa garota do barulho
No tempo em que Lessa era goleiro do Bahia
Um goleiro, uma garantia
No tempo em que a turma ia procurar porrada
Na base da vã valentia
No tempo que preto não entrava no bahiano
Nem pela porta da cozinha
Conheci uma garota que era do barbalho
Num lotação de liberdade
Que passava pelo ponto dos quinze mistérios
Indo do bairro pra cidade
Pra cidade quer dizer cidade do terreiro
Pra onde todo mundo ia
Todo dia todo dia todo santo dia
Eu, minha irmã e minha tia
No tempo quem governava era Antônio Balbino
No tempo que eu era menino
Menino que eu era e veja que eu já reparava
Numa garota do barbalho
Reparava tanto que acabei reparando
No rapaz que ela namorava
Reparei que o rapaz era muito inteligente
Um rapaz muito diferente
Inteligente no jeito de pongar no bonde
E diferente pelo tipo
De camisa aberta e certa calça americana
Arranjada de contrabando
Sair do banco e desbancando, despongar do bonde
Sempre rindo e sempre cantando
Sempre lindo e sempre sempre sempre
Sempre rindo e sempre cantando
Sempre lindo e sempre
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