quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
SOBRE A VIDA E A DROGA QUE MATA SEM DOR
Ela dizia-se cansada. Cansada em procurar um sentido para as coisas que acontecem ao seu redor. Falava sobre a incapacidade de dormir que a assola. Falava sobre o pessimismo em seus pensamentos mais profundos. E sobre o amigo que comprou um remédio que mata sem que se sinta dor. A conversa não terminou porque ela saiu sem que eu percebesse. Aquilo me intrigou. Afinal, se morrer é a finalidade, porque preocupar-se com a dor? Não seria mais fácil se jogar de algum lugar bem alto? Dar um tiro na cabeça? Porque morrer sem sentir dor? Preocupação estranha vinda de uma pessoa com tendências suicidas. Fiquei pensando sobre isso. Pensei sobre a vida. Pensei sobre a morte. E não vi, mesmo concordando que a vida na essência é um porre, necessidade alguma de desistir da falta de sentido que guia os nossos dias. Porque a falta de sentido pode esconder surpresas deliciosas. E eu quero poder sentí-las. Olhando para trás vi que fui muitas ao longo dessa minha vida de pouca idade vivida. Como posso querer parar de brincar agora se não sei qual de mim posso vir a ser no futuro? As possibilidades são infinitas. Mesmo a vida sendo um saco lá no fundo.
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