sábado, 31 de janeiro de 2009

YOU ARE SO BORED



Nós não temos mais assunto. Ontem você me deu preguiça. Subi a ladeira com a mente em branco, frustrada com o que você hoje se tornou. Eu não quero ser como você. Também, porquê eu iria querer, à final de contas? Você se anulou por completo. Você se tornou triste. O próprio fracasso. Nem sua habilidade de tecer argumentos convence mais. Não consigo sentir nem pena. O que esperar de você no futuro? Mais frustrações? Estou cansada de você. Cansada. E só.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

CUNVERSA DE MINEIRO


- Essa chuvinha está um delícia, não acha?

- Acho. Está perfeita.

- Você já desligou o frango?

- Desliguei, senão vai secar demais.

- Tem razão, bem lembrado. O milho e o arroz estão prontos e no ponto!

- É e a gente precisa tirar um pouco do caldo para fazer aquele molhinho nervoso de pimenta.

- É só nele que estou pensando...

- Ah sim? E por quê?

- Eu cortei as dedinhos de moça.

- Sei. E o que tem?

- Lambi os dedos sem querer...

- Puts!

- É uai, o baseado não tá ardido não?

sábado, 17 de janeiro de 2009

YOU MUST LIVE YOUR LIFE




As pessoas lá embaixo parecem formigas. Ou melhor, deixe-me corrigir essa primeira sentença: as pessoas lá embaixo parecem carrinhos de flexão. Andando sem rumo, trombando nas paredes, mudando sempre a direção e indo a lugar algum. A velocidade das coisas lá embaixo é bem maior que a daqui de cima, que a daqui de dentro. Enquanto o caos mecânico e alienado se espalha e contamina a todos os seres humanos desprotegidos, eu aqui caminho em câmera lenta. Em slow motion, como gostam de dizer as pessoas "cools" e seus "must haves" and "it girls". Estou só de camiseta. Uma bem grande e velha. Meus cabelos continuam do mesmo jeito de quando eu acordei, porém bem maiores que meses atrás. A tv está ligada, bobagens americanas. Até a coisa mais séria deles consegue ser uma bobagem. Eles parecem ter parado para sempre nos anos oitenta com seus blushes e ombreiras quadradas. Seus permanentes nos cabelos com franja e suas roupas com cores cítricas. 

Desligo a TV, coloco uma música, abro uma cerveja. O tempo fecha lá fora. O céu fica bem escuro e em poucos instantes a chuva começa. Brisa fria. Cerveja gelada. Música de qualidade incontestável. Gatos esparramados ao meu redor. E as pessoas lá embaixo ainda se trombando. Vindas de lugar nenhum, indo a lugar algum. Pessoas desesperadas pelos "must have's" sonhando com suas "it girls", tentando serem "cools". E eu aqui, quietinha, feliz, assistindo a tudo com um risinho sínico no canto da boca enquanto acompanho cantarolando a canção, com os braços apoiados no parapeito da varanda, sentindo o vento no rosto e agradecendo ao universo o fato da vida ser feia de escolhas.

Shalala-lá!...